Orçamento & Custos

Como Montar um Orçamento de Obra Preciso em 7 Passos

Aprenda o passo a passo definitivo para estimar custos com assertividade, desde o estudo de projetos até a definição do BDI.

Por Eng. Roberto Vasconcelos (Especialista em Engenharia de Custos e Orçamentação) • 10 de Março de 2026 • 9 min de leitura
💡 Resumo Executivo / Direto ao Ponto:

Descubra a metodologia em 7 etapas para estruturar orçamentos de obras sem esquecer custos ocultos, perdas de canteiro e encargos complementares.

Como Montar um Orçamento de Obra Preciso em 7 Passos

Introdução: O Desafio da Assertividade na Orçamentação

Um orçamento mal elaborado é a causa número um de paralisia de obras e falência de construtoras no Brasil. Para garantir lucratividade e previsibilidade, siga este método em 7 passos sequenciais.


Passo 1: Análise Profunda dos Projetos Executivos

Antes de abrir qualquer planilha, faça a compatibilização dos projetos (arquitetônico, estrutural, hidrossanitário, elétrico e climatização). Identificar interferências nesta fase custa zero; em obra, pode custar dezenas de milhares de reais.

Passo 2: Visita Técnica ao Local e Análise de Solo

Nunca orce uma obra sem inspecionar o terreno:
  • Declividade e necessidade de terraplenagem;
  • Nível do lençol freático e tipo de fundação necessária;
  • Condições de acesso para caminhões pesados e betoneiras;
  • Disponibilidade de água, energia provisória e descarte de bota-fora.

Passo 3: Levantamento Quantitativo de Serviços (Memória de Cálculo)

Elabore a memória de cálculo serviço a serviço. Aplique índices de perda reais de mercado:
  • Concreto usinado: 5% a 7%;
  • Aço CA-50: 8% a 10% (perda de pontas e dobras);
  • Alvenaria cerâmica: 8% a 12%;
  • Revestimentos cerâmicos: 10% a 15% (recortes e rodapés).

Passo 4: Pesquisa de Preços de Insumos e Referências Oficiais

Utilize bases de dados homologadas como SINAPI (Caixa Econômica), SICRO (DNIT) e TCPO (Pini). Para itens que representem mais de 5% do custo da obra, faça cotações com no mínimo 3 fornecedores regionais.

Passo 5: Composição de Custos Unitários (CPU)

Cada serviço deve possuir sua CPU discriminando o consumo de material por unidade, a produtividade horária da mão de obra (pedreiro, servente, pintor) e o rateio de equipamentos.

Passo 6: Estimativa de Custos Indiretos

Não negligencie o canteiro de obras:
  • Engenheiro residente e mestre de obras;
  • Refeitório, vestiários e banheiros químicos;
  • Água, luz, internet e segurança patrimonial;
  • Taxas municipais, alvará, licença ambiental e ART/RRT.

Passo 7: Cálculo do BDI e Fechamento da Proposta

Aplique a fórmula técnica do Acórdão 2.622/2013 do TCU para determinar o percentual de BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), cobrindo tributos (PIS, COFINS, ISS, CPRB), despesas financeiras, margem de risco e lucro líquido planejado.